Jeremias 13,1-1; Mt 13,31-35

O grão de mostarda torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramo” (Mt 13,32)

QUEM CUIDA DA SEMENTE DE HOJE PODE TORNAR-SE ABRIGO AMANHÃ

Não despreze os pequenos começos. Aquilo que hoje parece frágil, oculto e insignificante pode carregar uma força capaz de transformar vidas. Quando uma pessoa encontra um sentido para continuar, até o menor gesto se torna semente de algo maior.

Você não nasceu pronto. Nasceu com potencial. E potencial não é o que você já é — é o que ainda pode se tornar através daquilo que escolhe fazer com o pouco que tem em mãos agora.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. Qual pequeno passo preciso dar hoje?
  2. Quem hoje precisa encontrar abrigo naquilo que você já pode oferecer?

COMPROMISSO

Cultivar hoje, com fidelidade, uma pequena atitude de amor. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

Há algum tempo aconteceu comigo um episódio que me tocou no fundo da alma. Eu estava em Roma; esperava o ônibus no ponto que fica quase em frente à igreja de São João de Latrão. Estava comigo minha mãe. Aproximou-se de mim uma senhora muito idosa, vestida com um pequeno casaco preto, já brilhante pelo uso constante ao qual havia sido submetido. Caminhava a passos curtos, com a típica rigidez senil do tronco, da cabeça e das mãos. Perguntou-me se eu queria comprar uma pegadeira de linha de algodão vermelho, feita de crochê, dessas que servem para pegar panelas e caçarolas sem se queimar. Pego assim, de surpresa, disse que não me interessava. Então a velhinha se afastou sem insistir e sem se dirigir a mais ninguém. Arrependi-me imediatamente, porque compreendi que o importante não era que eu tivesse necessidade daquela pegadeira, mas que ela tinha necessidade de vendê-las para poder ganhar algo. Troquei um olhar com minha mãe, que a alcançou logo em seguida e perguntou a quanto ela vendia. «A mil liras a peça, senhora», respondeu; «fiz eu mesma, à mão. Tenho noventa e dois anos…». «Compro as cinco que a senhora tem», disse minha mãe, abrindo a carteira. A velhinha olhou para minha mãe com um sorriso cansado e quase imperceptível; sem dizer nada, afastou-se com seu andar tranquilo, um andar que deixava imóveis os braços, os ombros e a cabeça.

Essa cena eu a repensei, meditei, contemplei dentro de mim muitas vezes, não saberia dizer quantas. A velhinha já havia se afastado: que outra coisa — ou quem — nos convenceu a comprar não uma, mas todas as pegadeiras que ela vendia? Essa é a questão: há uma força em ser pequeno, pobre, sofrido e submisso; uma força que, no entanto, não lhe pertence, uma força que lhe vem de fora. Alguém a colocou dentro dela, alguém que a possui. Não é preciso perder-se em muitas indagações, Senhor, porque só Há Um que pode possuir tal força, só Um pode ter pensado em fazer tudo isso: tu. Tu a puseste na humildade daquela velhinha, ainda que a tenhas posto também no coração de quem a viu e a sentiu. É a única força que sempre existiu, que existe e que existirá para sempre, a única força que forma uma só coisa contigo, que faz de ti, Pai, Filho e Espírito Santo, um único Deus: a força do teu amor ou, melhor ainda, a força do amor que és.

(A. Marchesini, Piccolo come un seme di senape, Bolonia, 1993)

Bom dia para você e sua família!