João 20,1-2.11-18

“Mulher, por que choras? A quem procuras?” (Jo 1,15)

A PERGUNTA NÃO É APENAS SOBRE QUEM VOCÊ PERDEU, MAS SOBRE O QUE, DENTRO DE VOCÊ, PRECISA SER REENCONTRADO.

Toda dor carrega uma pergunta escondida. Maria chora não porque perdeu um corpo, chora porque perdeu um sentido. E é justamente ali, no vazio do túmulo, que a pergunta certa é feita: não “por que isso aconteceu comigo?”, mas “a quem procuras?”.

Maria chora de frente para um túmulo vazio, mas é a busca que a mantém de pé. Ela não sabe ainda

que Aquele que procura já está diante dela. O sentido raramente chega como resposta pronta,

chega como presença que se revela quando a pergunta é feita com honestidade.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. O que estou chorando hoje: uma perda, ou o sentido que essa perda escondeu de mim?
  2. O que essa situação está me chamando a transformar agora?

COMPROMISSO

Nomeie com clareza aquilo que você perdeu, e escreva ao lado o que ainda permanece em você apesar disso.

(escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

“A quem procuras?” A pergunta de Jesus ressuscitado a Maria Madalena pode surpreender também a nós, a cada manhã e a cada hora da nossa vida. És capaz de dizer quem realmente procuras?

Na verdade, nem sempre está claro que buscamos Jesus, o Senhor. Nem sempre aquele que desejamos encontrar é precisamente aquele que deseja entregar-se a nós.

Maria procurava o homem Jesus, procurava o Mestre crucificado; por isso, não conseguia ver diante dela Jesus vivo. Se temos uma ideia de Jesus moldada pela medida da nossa pequena inteligência humana, a nossa busca acaba em um beco sem saída. Jesus é sempre infinitamente maior do que aquilo que conseguimos pensar ou desejar.

Onde, então, e como buscar o Senhor para sair do túnel dos nossos desvios e dos nossos medos? Como evitar o engano de ficar girando ao redor de nós mesmos, em vez de correr diretamente para Ele?

Somente quando tivermos uma verdadeira e justa compreensão de nós mesmos como criaturas pobres é que poderemos descobrir a presença daquele que sustenta todas as coisas.

Aquele que buscamos deve ser verdadeiramente o Tudo ao qual a nossa alma anseia unir-se. Buscar Cristo é sinal de que, de certo modo, já o encontramos; mas encontrar Cristo é também um estímulo para continuar a buscá-lo.

Essa atitude não pertence apenas ao início do caminho espiritual, mas o acompanha até a meta final, porque a busca da face do Senhor é o elemento essencial da vida espiritual.

Conhecer Aquele por quem somos conhecidos: eis o que é indispensável. O itinerário do conhecimento de Cristo coincide com o próprio itinerário da fé e do amor.

O eu precisa aprender a silenciar e a escutar; o coração precisa aprender o caminho do exílio, afastando-se de tudo aquilo que o mantém preso aos seus antigos e tristes amores.

(A. M. Cánopi, No mistério da gratuidade, Milão, 1998, p. 21 e seguintes).

Bom dia para você e sua família!