Mateus 8,28-34

“O que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”
(Mt 8,29)

NEM TODA DOR É DESTRUIÇÃO; ÀS VEZES, É DEUS ARRANCANDO DE NÓS AQUILO QUE NOS APRISIONA.

Quando a luz de Deus se aproxima, aquilo que em nós vive escondido começa a gritar. Nem sempre o maior medo do ser humano é sofrer. Muitas vezes, o maior medo é ser confrontado com a verdade da própria vida.

Os demônios reconhecem Jesus, mas não se entregam a Ele. Sabem quem Ele é, mas resistem à libertação. Essa é uma das maiores tragédias da existência: reconhecer a verdade e, ainda assim, preferir permanecer preso ao próprio abismo.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. O que dentro de mim ainda resiste à presença de Deus?
  2. Que prisão eu já me acostumei a chamar de normalidade?

COMPROMISSO

Hoje, identifique uma verdade que você tem evitado — e dê um passo concreto na direção dela, mesmo que doa. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

A questão de saber o que é o cristianismo e quem é Cristo para nós hoje me preocupa constantemente. O tempo em que se podia dizer tudo às pessoas por meio de palavras teológicas ou piedosas passou, assim como passou o tempo da espiritualidade e da consciência, isto é, o tempo da religião em geral.

Caminhamos ao encontro de uma época totalmente irreligiosa; os homens, tais como são, simplesmente já não conseguem continuar sendo religiosos. Mesmo aqueles que se declaram honestamente religiosos não praticam de modo algum sua religião; por conseguinte, é provável que compreendam o termo em um sentido completamente diferente.

Se a religião é apenas uma vestimenta do cristianismo — e essa vestimenta também assumiu aspectos muito distintos em diferentes épocas —, o que será um cristianismo não religioso? Que significado têm o culto e a oração na irreligiosidade?

Talvez adquira, neste ponto, uma nova importância a disciplina do arcano ou, então, a distinção entre o penúltimo e o último? Devemos restabelecer uma disciplina do arcano que proteja da profanação os mistérios da fé cristã.

(Dietrich Bonhoeffer, Resistenza e resa, Cinisello B., 1988, pp. 348-355, passim [edição espanhola: Resistencia y sumisión, Sígueme, Salamanca, 1983]).

Bom dia para você e sua família!