Marcos 9,9-13

“Não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9,13).

“DEUS NÃO TE CHAMA APESAR DAS SUAS FERIDAS — ELE TE CHAMA ATRAVÉS DELAS”

Há uma verdade que liberta: Deus não nos vê pelo que erramos, mas pelo que somos — filhos seus. Ele não espera que nos consertemos para nos amar; Ele nos encontra exatamente onde estamos, inteiros em nossas feridas. O olhar de Jesus não para nos nossos limites — passa por eles e alcança nosso coração. É aí que nasce um novo começo: não apesar de quem somos, mas através de quem somos. Ser chamado por Ele é receber uma identidade que nenhuma falha pode apagar.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. Em que área da minha vida eu ainda me sinto indigno de ser acolhido por Deus?
  2. Que passo concreto posso dar hoje para me aproximar mais de Jesus?

COMPROMISSO

Esta semana, toda vez que surgir um pensamento de autocondenação, substituí-lo conscientemente por esta afirmação: “Sou filho(a) de Deus — e Ele me chama pelo nome.” (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

A autêntica solicitude, a verdadeira disponibilidade, exclui a indiferença e é o polo oposto da apatia. Etimologicamente, a palavra inglesa care, “cuidado”, deriva do gótico kara, que significa “lamento”. O primeiro significado de care é afligir-se, sentir dor, compartilhar o grito doloroso do outro.

O fundamento do termo care me toca profundamente, porque nós tendemos a considerar a solicitude como a atitude do forte diante do fraco, do poderoso diante do necessitado, do rico diante do pobre. Antes de tentarmos fazer algo para aliviar a dor alheia, percebemos que nos é incômodo assumir como nossa a dor do outro.

Quando nos perguntamos sinceramente quem são, para nós, as pessoas mais importantes e significativas em nossa vida, descobrimos que não são, exatamente, aquelas que nos deram bons conselhos ou nos ofereceram soluções ou remédios, mas, sobretudo, aquelas que compartilharam nossa dor e tocaram nossas feridas com mão sensível e carinhosa.

O amigo que sabe estar próximo nos momentos de dor ou angústia; o amigo que sabe aceitar sem entender, sem encontrar remédio; o amigo que sabe olhar conosco a realidade da nossa impotência: este é verdadeiramente solícito, aquele que se encarrega do outro […].

Não somos apenas propensos a fugir das realidades dolorosas, mas também tentamos modificá-las o mais rapidamente possível. No entanto, a solicitude que não é diligente e compartilhada nos transforma em indivíduos dominadores, controladores e manipuladores; torna-nos impacientes e nos incapacita para compartilhar o peso dos outros.

(H. J. M. Nouwen, Forza dalla solitudine, Brescia, 1998, p. 34-37.).

Bom domingo para você e sua família!