Marcos 12,13-17

Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mc 12,17).

“CÉSAR PODE RECEBER A MOEDA”, MAS JAMAIS PODE POSSUIR A ALMA.

César pode receber a moeda, mas jamais pode possuir a alma. O mundo pode exigir nossas obrigações, nossos impostos, nosso trabalho e nossa presença, mas nunca pode tomar o lugar de Deus dentro de nós. Jesus nos recorda que existe uma parte da vida que pertence às estruturas humanas, mas há uma dimensão sagrada que só o Senhor pode governar: a consciência, a fé e o coração. O perigo é cumprir tudo diante dos homens e permanecer vazio diante de Deus. Porque quem entrega a alma ao mundo perde a liberdade de viver para o eterno.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. O que na minha vida tem ocupado o lugar de Deus?
  2. Tenho dado a Deus apenas sobras ou o centro do meu coração?

COMPROMISSO

Cumpra seus deveres sem perder sua fidelidade a Deus. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

“Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”: são as palavras com as quais Jesus dá voz à sua atitude de oferta, de rendição diante do mistério; para além e dentro da escuridão do mistério.

Essa entrega de si mesmo, que nada retira da escuridão em que se vive, não liberta do medo diante dos elementos ameaçadores que sentimos ao nosso redor e dentro de nós mesmos, mas expressa em nossa vida o absoluto de Deus.

Talvez não exista, no vocabulário humano, palavra mais universal nem mais censurada do que a palavra “sofrer”: é universal porque a experiência do sofrimento pertence a todos os seres humanos; mas é também um termo censurado, porque o sofrimento desperta dentro de nós a consciência da nossa fragilidade.

Do vocabulário do sofrimento fazem parte palavras como “enfermidade” e “morte”, com seus desdobramentos de “debilidade”, “medo”, “decadência” e “impotência”. Há também a experiência da fraternidade traída: a fome, a injustiça, a violência […]; estas se manifestam em formas antigas, mas também por meio de formas típicas do nosso tempo: a dor das crianças, a solidão dos idosos e dos pobres, o isolamento de muitos jovens que não conseguem se inserir na sociedade…

No mistério do coração humano, é a consciência da dor e de suas razões que, às vezes, torna o sofrimento mais agudo: tocamos com as mãos a consciência da nossa própria fragilidade. Com frequência, as perguntas sobre o sofrimento representam uma dor mais profunda do que a própria dor; elas perfuram a consciência, geram um sentido de solidão que nos faz tocar o mistério com as mãos, porque o sofrimento é também, sempre, experiência do mistério.

É inútil pretender decifrar e explicar o mistério; ele só pode ser guardado no coração, na expectativa de que um dia se revele.

(P. Bignardi, Il vangelo del quotidiano, Roma, 2000, pp. 113ss.).

Bom dia para você e sua família!