Mateus 26,14-25

“O AMOR-PRÓPRIO TRAI AS RELAÇÕES COM DEUS, COM O PRÓXIMO E CONSIGO MESMO

“O que me dareis se vos entregar Jesus? Combinaram, então, trinta moedas de prata” (Mt 26,15)

Judas não vendeu apenas Jesus por moedas; vendeu a verdade do próprio coração.
Quem negocia a consciência perde gradualmente a alma. O pecado não começa com grandes quedas, mas com pequenas concessões internas que corroem o coração, traindo a Deus e o próximo. Jesus nos ensina a não desistir do bem, mesmo quando isso exige sacrificar o ego e deixar morrer o amor-próprio.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. Em que situação tenho colocado interesses acima da verdade?
  2. Onde preciso ser mais fiel a Jesus hoje?

COMPROMISSO

Renuncie a uma pequena vantagem por amor à verdade. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

Judas aparece como o protagonista da liturgia dos três primeiros dias da Semana Santa: o Evangelho sempre fala dele. E Judas também está presente no Cenáculo.

A presença de Judas no meio dos doze, ao redor da mesa de Jesus, é, indubitavelmente, o fato mais inquietante entre os acontecimentos, todos inquietantes, que se condensam nas vésperas da paixão do Senhor. É a presença do inimigo entre os amigos, daquele que golpeia no momento e no lugar em que a confiança é necessária, porque ninguém pode mais se defender de ninguém.

Jesus não ignora essa presença, não a passa por alto; mas, ao mesmo tempo, não revela Judas, não o acusa, não discute com ele, não tenta se defender. Ele não se cala propositadamente diante dessa presença, para também estar presente a ele até o final. Os doze, por sua vez, tentam descobrir quem deles é o que mente: e, nessa tentativa, sucumbem e caem na antiga lei da suspeita recíproca generalizada, da acusação, da divisão. Daqui nasce sempre a crise da relação fraterna e de comunhão: do medo de ser traído, do medo de que o outro se aproveite, da pretensão impossível de testar e verificar as intenções do outro. Não existe outra maneira de vencer o traidor senão se entregar nas suas mãos e colocar nas mãos de Deus a própria causa. Pensemos em quantas desavenças, quantas ofensas, quantas prepotências se escondem em nossa vida pela suspeita. Para sentar-se à mesa de Jesus, é preciso confiar uns nos outros sem pensar no preço que essa confiança pode custar.

(G. Angelini, L¡ amó sino alia fine, Milano 1981, 40s).

Bom dia para você e sua família!