Jo 7,40-53

MESMO NAS TEMPESTADES, NOSSA FÉ NOS MANTÉM FIRMES”

“Será que a nossa Lei julga alguém, antes de o ouvir e saber o que ele fez?” (Jo 7,51)

O Evangelho de hoje nos convida a refletir sobre a nossa tendência de rotular e julgar os outros, muitas vezes baseados apenas no que ouvimos sobre eles ou nas aparências que nos são apresentadas. Isso nos revela como, muitas vezes, somos rápidos em emitir juízos sem antes nos abrir ao verdadeiro entendimento do coração do outro.

No entanto, escutar com atenção e compaixão antes de julgar é um ato profundo de justiça, misericórdia e maturidade espiritual. Quando nos permitimos ouvir com o coração, sem preconceitos ou pressa, nos tornamos mais humanos, mais próximos da verdade divina e, assim, mais parecidos com Deus, que vê além das aparências e acolhe com amor.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. Eu tenho julgado alguém sem conhecer de fato sua história?
  2. Tenho dado ao outro a chance de ser ouvido com respeito?

COMPROMISSO

Hoje, antes de emitir um julgamento, procure escutar com calma e caridade. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

A condição do cristão, na medida em que ser cristão é resignar-se a estar à mercê de alguém, é algo singularmente desconfortável. E você sabe muito bem disso. No fundo, o que teme é, como diz muito bem, que uma vez colocado o dedo na engrenagem, não se sabe onde poderá parar. Certamente, não nos escapa que o que impede os que não têm fé de tê-la é isso. Assim como também é o que impede os que já a têm de ter mais fé. Sempre é grave introduzir alguém na própria vida, até mesmo do ponto de vista humano; sabe-se que, a partir desse momento, não será mais possível dispor inteiramente de si. Deixar Jesus entrar na própria vida encerra um risco terrível. Não se sabe até onde isso nos levará. E a fé é precisamente isso. Jamais se me fará crer que seja algo confortável. Levar a sério Jesus Cristo é aceitar na própria vida a irrupção do Absoluto do Amor, aceitar ser arrastado para um lugar desconhecido. E esse risco é, ao mesmo tempo, a libertação, porque, no final das contas, sabemos muito bem que só desejamos uma coisa: esse Amor absoluto; e que, em última instância, somos despojados de nós mesmos. Isso quer dizer, e me parece essencial, que a fé não aparece como uma maneira de acabar com as aventuras da inteligência, como uma tranquilidade que alguém se concederia quando ainda há muito a ser buscado. A fé não é uma meta, mas um ponto de partida. Ela introduz nossa inteligência na mais maravilhosa das aventuras, que é contemplar um dia a Trindade.

(J. Daniélou, Escândalo da Verdade, Madrid 1962, 136-137, passim).

Bom dia para você e sua família!