BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DE GUADALUPE

“SERVIR COM FÉ E PRONTIDÃO”

LER

Lucas 1,39-47

“Maria partiu apressadamente” (Lc 1,39).

O Evangelho nos traz uma mensagem profunda sobre como viver nossa experiência de fé de forma plena, atentos às palavras de Deus e disponíveis para a missão. Assim como Maria, somos chamados a agir com pressa quando o Senhor nos chama, a nos alegrarmos com o outro, a sermos fiéis à fé que professamos, e a engrandecer ao Senhor com todo o nosso ser. Que, ao olharmos para Maria, possamos reconhecer o convite que Deus nos faz: viver com intensidade, com fé, com alegria e a serviço dos irmãos e irmãs.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor espiritual).

MEDITAR

1. Tenho sensibilidade de perceber quando alguém precisa de ajuda?

2. Minha fé me leva a ações concretas ou fico apenas nas intenções?

CONTEMPLAR

Feche os olhos e imagine-se no lugar de Maria, ao saber da gravidez de Isabel. Sinta a urgência de sua missão de ir até ela.

COMPROMISSO

Como posso viver com alegria e gratidão, compartilhando o amor de Deus com todos ao meu redor? (Escreva no seu diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

A experiência da fé gera, antes de mais nada, um salto de alegria perante a vida. Saltar de alegria significa ser «tocado por dentro», ter um frémito interior, sentir que algo se move no nosso coração. É o contrário dum coração insensível, frio, acomodado numa vida tranquila, que se tranca na indiferença e se torna impermeável, que endurece, insensível a tudo e a todos, inclusive ao trágico descarte da vida humana, que hoje é rejeitada em tantas pessoas que emigram, bem como em muitos bebés não nascidos e em muitos idosos abandonados. Um coração frio e insensível arrasta a vida de forma mecânica, sem paixão, sem impulsos, sem anseios. E, de tudo isto, é possível adoecer na nossa sociedade europeia: o cinismo, o desencanto, a resignação, a incerteza, a melancolia – tudo somado, a tristeza, aquela tristeza escondida nos corações. Alguém as designou como «paixões tristes»: é uma vida sem saltos de alegria.

Ao contrário, quem é gerado para a fé, reconhece a presença do Senhor, como o bebé no ventre de Isabel. Reconhece a sua obra no desabrochar dos dias e recebe olhos novos para ver a realidade; mesmo no meio das canseiras, dos problemas e dos sofrimentos, vislumbra diariamente a visita de Deus e sente-se acompanhado e sustentado por Ele. Diante do mistério da vida pessoal e dos desafios da sociedade, quem acredita dá saltos de alegria, tem uma paixão, um sonho a cultivar, um interesse que o impele a comprometer-se pessoalmente. Agora, cada um de nós pode perguntar-se: eu sinto estas coisas? Eu tenho estas coisas? Quem é assim sabe que, em tudo, está presente o Senhor, nos chama e convida a testemunhar o Evangelho para construir com mansidão, graças aos dons e carismas recebidos, um mundo novo.

A experiência da fé, além de um salto de alegria perante a vida, gera também um salto de alegria à vista do próximo. De facto, no mistério da Visitação, vemos que a visita de Deus não se realiza através de eventos celestes extraordinários, mas na simplicidade dum encontro. Deus chega à porta duma casa de família, no abraço terno entre duas mulheres, no cruzamento de duas gravidezes cheias de maravilha e esperança. E, neste encontro, temos a solicitude de Maria, a maravilha de Isabel, a alegria da partilha.

(Papa Francisco, Viagem apostólica a Marselha para a conclusão dos “rencontres méditerranéennes”, 23/09/2023).

Bom dia para você e sua família!