SÃO MARTINHO DE TOURS
“O PERDÃO TRANSFORMA REALIDADES”
LER
Lucas 17,1-6
“Se sete vezes vier ter contigo e ti disser: “Estou arrependido”, tu lhe perdoarás.” (Lc 17,4).
No Evangelho de hoje, podemos perceber que regras de comportamento ditadas por Jesus aos discípulos refletem atitudes e práticas presentes nas comunidades. Jesus instrui que devemos perdoar, mesmo que alguém peque contra nós repetidamente, desde que se arrependa. Sob um olhar existencial, perdoar pode ser visto como uma forma de ir além do ressentimento e encontrar significado em um mundo imperfeito. Perdoar nos coloca em uma dimensão de fé, pois “O perdão é um ato que nos reconcilia com a complexidade do ser humano, reconhecendo a falibilidade dos outros e de nós mesmos” (Kierkegaard).
(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor espiritual).
MEDITAR
1. Pense em situações em que você foi chamado a perdoar repetidamente. Como isso impactou sua vida espiritual e emocional??
2. Como eu posso viver de maneira a não ser uma causa de tropeço para os outros, especialmente para aqueles que são mais vulneráveis ou que confiam em mim?
CONTEMPLAR
Reflita sobre como essa passagem pode transformar sua perspectiva ao longo do dia.
COMPROMISSO
Comprometo-me a praticar o perdão e a acolher aqueles que falham comigo. (Escreva no seu diário espiritual).
LEITURA ESPIRITUAL
Perdoar para ser perdoado
«Muitas vezes vamos pedir perdão ao Senhor justificando-nos, vendo o que de mau fizeram os outros», afirmou o Pontífice. Mas a atitude correta é reconhecer que, «infelizmente, pequei». Resumindo, «acusar-se a si mesmo». Isto «agrada ao Senhor, porque o Senhor recebe o coração contrito». A tal propósito são claras as palavras de Azarias: «Não há desilusão para quantos confiam em vós». Porque «o coração contrito diz a verdade ao Senhor: “Senhor, cometi um pecado contra vós”». Mas «o Senhor tapa-lhe a boca, como o pai ao filho pródigo, não o deixa falar: o seu amor cobre-o, perdoa tudo».
Portanto, «acusar-nos a nós mesmos». «Quando vou confessar, o que faço? Justifico-me ou acuso-me?» foi a pergunta formulada por Francisco. Com a sugestão de «não sentir vergonha, ele justifica-nos: “Senhor, sois grande, concedestes-me tantas graças mas infelizmente, pequei”».
«O Senhor perdoa-nos, sempre e não uma só vez», afirmou o Pontífice. «A nós — acrescentou — diz para perdoar setenta vezes sete, sempre, porque ele perdoa sempre: “Perdoo-te, contanto que perdoes os outros”». Referindo-se ao trecho evangélico de Mateus (18, 21-35), o Papa observou que «se tu fores pedir perdão ao Senhor como este empregado, o Senhor perdoa! Mas depois se o empregado não perdoar o seu colega…». Assim, acrescentou, «o perdão de Deus chega até nós com força, contanto que perdoemos os outros». Mas, advertiu Francisco, «isto não é fácil porque o rancor faz um ninho no nosso coração e permanece aquela amargura». De facto «muitas vezes trazemos em nós a lista do que nos fizeram: fez-me aquilo, fez-me isto». Sem perdoar.
«Um confessor — prosseguiu o Pontífice partilhando outra recordação — disse-me certa vez que se sentiu em dificuldade quando foi administrar os sacramentos a uma idosa que estava para morrer. Confessou os seus pecados e até contou histórias de família. E o sacerdote disse: “Mas a Senhora perdoa estes familiares?” — “Não, não perdoo”». A mulher, afirmou o Papa, estava «apegada ao ódio, o diabo tinha-a acorrentado àquele ódio». E desta forma «aquela idosa — idosa! — que estava para morrer dizia: “não perdoo”». O confessor, disse Francisco, procurou falar-lhe de Jesus, que era bom e ela respondia que sim, era bom e assim falando, falando, disse-lhe: “Mas a senhora acredita que Jesus é bom?” — “sim, sim”». E o confessor «concedeu a absolvição, mas o ódio escravizava-a».
(Papa Francisco, Audiência Geral, 06/03/2018).
Bom dia para você e sua família!

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