Ezequiel 33,7-9; Romanos 13,8-10; Mateus 18,15-20

“Se ele te ouvir, tu ganhaste teu irmão” (Mt 18,16)

NA LÓGICA DE JESUS, VENCER NÃO É DERROTAR O OUTRO; É NÃO PERDER O IRMÃO.

Há feridas que nos fazem querer vencer discussões, provar que temos razão ou simplesmente desistir de alguém. Jesus, porém, apresenta outro caminho: não se trata de vencer o outro, mas de ganhar o irmão. A correção fraterna nasce de um coração que ainda acredita que uma relação ferida pode ser reconstruída. Somos livres para alimentar distâncias ou dar ao amor uma nova possibilidade. Quando procuramos o outro com verdade, humildade e misericórdia, o conflito deixa de ser apenas uma ferida e pode tornar-se lugar de conversão. No caminho de Cristo, reconciliar não é apagar o que aconteceu; é escolher que a dor não tenha a última palavra.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor espiritual).

Pergunta para meditar:
➡️ Vale a pena perder um irmão só para provar que você tem razão?

COMPROMISSO

Escolha abandonar um julgamento e pratique um gesto concreto de misericórdia. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

Há um significado clássico da correção fraterna, em perfeita consonância com o mandato evangélico de Mt 18, que compreende esse serviço fraterno, na perspectiva da recuperação daquele que errou, como um modo evangélico de se colocar diante do pecado alheio.

A correção fraterna «é um gesto puríssimo de caridade, realizado com discrição e humildade em relação àquele que errou; é compreensão caritativa e sincera disponibilidade para com o irmão, a fim de ajudá-lo a carregar o peso de seus defeitos, de suas misérias e fraquezas ao longo dos árduos caminhos da vida; é uma mão estendida àquele que caiu, para ajudá-lo a levantar-se e retomar o caminho…; é uma catequese prática e eficaz, que torna críveis o amor e a verdade; é uma intervenção fraterna solícita, que deseja curar as feridas da alma sem provocar sofrimentos nem humilhações».

Há, porém, também outro significado que vem abrindo progressivamente caminho na interpretação da correção fraterna. «Ao longo dos últimos anos, a correção fraterna deslocou-se da esfera penitencial para a espiritual», isto é, passou gradualmente de uma finalidade exclusivamente negativa — a repreensão por um erro — para outra positiva e «propositiva», que se articula «em uma pluralidade de intervenções graduais, não facilmente definíveis a priori, que vão desde a ajuda prestada ao irmão para que não se desvie, passando pelo apoio oferecido aos fracos ou pelo estímulo dirigido aos desanimados, pela exortação, pela advertência e pela correção, até a medida drástica da excomunhão, caso esta se revele útil».

Portanto, trata-se sempre de uma intervenção motivada pela presença do mal, da limitação, da fraqueza ou da incerteza, mas com a intenção de superar todas essas realidades graças à força positiva sempre presente na pessoa. A correção fraterna deseja trazer à luz esse bem para fazê-lo frutificar. Trata-se de corrigir promovendo e promover corrigindo. Precisamente graças a essa abertura, ou a esse olhar voltado para o futuro, torna-se possível a integração do mal.

Nesse sentido, a correção fraterna é «um conjunto de comportamentos de iluminação, conselho, estímulo, repreensão, admoestação e súplica, que devem ser cultivados pacientemente até serem adquiridos como estilo próprio e se tornarem praticáveis no cotidiano», por meio dos quais se procura ajudar o irmão a abandonar o mal e praticar o bem.

«A correção fraterna significa entrar na intimidade daquele que errou; porém, ele traz em seu interior quem sabe quantos valiosos elementos positivos: é necessário reconhecer e elogiar esses elementos.»

Trata-se de uma considerável ampliação de significado e, de todo modo, plenamente coerente com aquele sentido de fraternidade responsável que constitui a chave de leitura de Mateus 18,15-17.

Com efeito, o verbo repreender traduz um termo hebraico cuja raiz significa também “exortar e educar”, e não somente «corrigir e castigar».

Existe, além disso, uma interpretação etimológica bastante sugestiva — embora não se saiba até que ponto seja linguisticamente fundamentada — segundo a qual «corrigir» viria do verbo cumregere, isto é, significaria literalmente “conduzir juntos”: carregar juntos o peso de um problema, de uma fraqueza, de um pecado, enfim, de uma situação complicada do irmão, para não deixá-lo sozinho e ajudá-lo a sair de suas dificuldades.

De certo modo, é como aqueles homens do Evangelho de Lucas que carregaram sobre os ombros o paralítico e o levaram até Jesus para que fosse curado. Jesus o curou, como sabemos, ao ver a fé deles (cf. Lc 5,17-26).

Correção fraterna é também isto: carregar o peso de alguém que é fraco e que, somente com suas próprias forças, talvez nunca conseguisse resolver seus problemas, tendo sempre presente que, em outras ocasiões, nós mesmos também fomos carregados por alguém.

É então que se realiza verdadeiramente a integração do mal.

( A. Cencini, Como ungüento precioso, San Pablo, Madrid, 2000, p. 211-213. Tradução espanhola de José Francisco Domínguez.)

Bom domingo para você e sua família!