SEXTA – 04/09/2026

XXII SEMANA DO TEMPO COMUM

1Coríntios 4,1-5; Lucas 5,33-39

“Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Naqueles dias, eles jejuarão” (Lc 5,35)

NEM TODO VAZIO É ABANDONO; ÀS VEZES, É O LUGAR ONDE DEUS TRANSFORMA E RENOVA O CORAÇÃO

O jejum nasce quando percebemos que existe um vazio que nenhuma coisa criada consegue preencher. Jesus fala da ausência do Noivo não para gerar tristeza, mas para despertar em nós uma busca mais profunda: um coração que não se acomoda, que deseja novamente a presença de Deus e encontra sentido mesmo nos tempos de silêncio.

Existem momentos em que Deus parece distante, em que perdemos referências, sonhos ou certezas. Mas justamente nesses desertos interiores somos convidados a amadurecer a fé, transformar a falta em encontro e descobrir que a verdadeira esperança nasce quando o coração aprende a esperar por aquilo que realmente dá sentido à vida.

Pergunta para meditar:
➡️ O que hoje ocupa o lugar que pertence a Deus no meu coração?

COMPROMISSO

Fazer 10 minutos de silêncio diante de Deus, entregando a Ele aquilo que tem ocupado minha paz. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

Fundamento minha compreensão do mundo, dos outros e de mim mesmo na figura simbólica do Servo de YHWH ou, melhor ainda, em um amor que não pode ser arrancado, mas somente oferecido.

O Servo de YHWH, “o Cordeiro de Deus”, é exatamente o contrário do “bode expiatório”, aquele que todos concordam em excluir para preservar a unidade do grupo. No cristianismo, ao contrário, o grupo é fundado por uma vítima que foi excluída pelos outros, mas que, ao aceitar ser excluída, denunciou e revelou o sistema do “bode expiatório”.

Com a lógica simbólica da vítima que consente livremente, a cruz deixa de ser interpretada simplesmente como uma punição, em termos de retribuição (o sangue derramado em troca da salvação), uma visão que Jó já havia questionado através de seu próprio sofrimento.

O extraordinário poder de Jesus reside em um sacrifício assumido livremente, capaz de destruir definitivamente todo o sistema fundamentado na lógica da vítima. É isso que São João destaca quando coloca nos lábios de Jesus estas palavras:

“Ninguém tem poder para tirar a minha vida; eu a dou por minha própria vontade.”
(Jo 10,18)

(P. Ricoeur, entrevista publicada no jornal Avenir em 8 de setembro de 1999).

Bom dia para você e sua família!