Ezequiel 36,23-28; Mateus 22,1-14

“… Estava um homem que não estava usando traje de festa” (Mt 22,11)

NÃO BASTA ESTAR NA FESTA; É PRECISO TORNAR-SE ALGUÉM CAPAZ DE VIVÊ-LA POR INTEIRO.

Não basta aceitar o convite; é preciso permitir que ele transforme a maneira como vivemos.

O “traje de festa” pode ser entendido como aquilo que vestimos por dentro: nossas escolhas, atitudes e a forma como respondemos à vida. Podemos estar no lugar certo, cercados pelas pessoas certas, dizendo as palavras certas e, ainda assim, permanecer interiormente distantes daquilo que fomos chamados a ser.

A vida nos convida todos os dias a assumir uma postura diante do que acontece. Nem sempre escolhemos as circunstâncias, mas sempre existe um espaço interior onde podemos escolher como responder.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. O que em mim ainda precisa mudar?
  2. Minhas atitudes correspondem ao que acredito?

COMPROMISSO

Transforme uma convicção em uma atitude concreta. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

O fim do ser humano é o reconhecimento da verdade, que é Deus. Isso implica o conhecimento da relação do homem com Deus, uma relação marcada pela indigência, isto é, pela consciência de sua necessidade de Deus. Como o obstáculo é o orgulho, o remédio é a humildade; a condição é a graça, o encontro com Deus em Cristo.

O resultado é a valorização do ser humano por sua dignidade recuperada de imagem de Deus. Enquanto a ignorância de si mesmo e o orgulho diminuem o valor do homem, a humildade — reconhecimento da necessidade de Deus, mas também da capacidade de Deus presente no homem — revela ao ser humano aquilo que ele verdadeiramente é.

Desse modo, ele “sai” de si mesmo e se eleva, cresce, “se estende” a novas dimensões: as do amor a Deus e ao próximo. O ser humilde torna-se manso e misericordioso. Assim, a fé vivida e, por assim dizer, transformada em humildade e caridade faz, segundo a linguagem do nosso tempo, o “si mesmo” sair do “eu”: desperta o eu para a liberdade do “si mesmo”, fazendo-o tornar-se pessoa na presença de Deus e em comunhão solidária com todos.

Em Bernardo, está sempre presente essa mensagem de glória, condicionada por sua mensagem de humildade: esse realismo extremo na consideração da miséria humana e, ao mesmo tempo, essa confiança inabalável na glória que já está presente no homem e que apenas espera manifestar seus efeitos.

A função da expressão literária será tornar visível um pouco dessa luz oculta que o olhar da fé consegue perceber. Em Bernardo, como também em outros grandes espirituais que foram escritores, a intensidade da experiência explica o caráter fervoroso e apaixonado da expressão e, consequentemente, certa parcela de exagero que ela possa conter.

Quer evoque as profundezas de nossa pequenez, quer a sublimidade das visitas do Verbo, ele parece, por vezes, ir longe demais, ultrapassar os limites do razoável e, em todo caso, do normal e do habitual. Na verdade, limita-se simplesmente a revelar, a partir de sua própria experiência, aquilo que pode acontecer com todos.

Seus escritos manifestam um pensamento ao mesmo tempo contemplativo e profundamente comprometido. Cada um deles começou como um ato muito concreto, mas, em todos eles, Bernardo alcança o universal. Quanto mais lúcido um ser humano é a respeito de si mesmo, mais é capaz de iluminar os outros sobre aquilo que eles próprios são.

(J. Leclercq, Bernardo de Claraval, Edicep, Valencia, 1991, pp. 212-213.).

Bom dia para você e sua família!