Apocalipse 11,19a;12,1.3-6a.10ab; 1Coríntios 15,20-27a; Lucas 1,39-56

O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor… Elevou os humildes” (Lc 1,49.52)

A DIGNIDADE DE ALGUÉM NÃO DEPENDE DA POSIÇÃO EM QUE ELA OCUPA; DEPENDE DO SENTIDO QUE RESPONDEMOS AOS ACONTECIMENTOS DA VIDA.

Na Festa da Assunção de Nossa Senhora, Maria nos recorda que Deus não mede a grandeza pelos critérios do mundo. Aquela que se reconheceu pequena, serva e humilde foi elevada. Não porque buscou destaque, mas porque fez de sua vida uma resposta inteira ao chamado de Deus.

“O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor… Elevou os humildes” (Lc 1,49.52).

Há momentos em que a vida nos coloca em lugares de aparente pequenez: quando não somos reconhecidos, quando nossos esforços parecem invisíveis, quando enfrentamos perdas, limites ou caminhos que não escolhemos. Mas a dignidade de uma existência não depende da posição que ocupamos; depende do sentido que damos à maneira como respondemos ao que nos acontece

Deus recolhe aquilo que o mundo não vê, transforma fidelidade em eternidade e eleva quem aprende a servir sem precisar aparecer.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. Em que situação preciso trocar a necessidade de reconhecimento pela confiança em Deus?
  2. Que “sim” concreto Deus espera de mim hoje?

COMPROMISSO

Faça discretamente um gesto de serviço por alguém, sem esperar reconhecimento. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

A glória, contemplada hoje no rosto da Virgem, revela-nos, em qualquer rosto, não importa se pobre e humilhado, o mesmo desígnio de glória. A grandeza da dignidade do ser humano e o seu valor inestimável fundamentam-se tanto em sua origem quanto em seu destino.

O ser humano é criado, em sua realidade corporal, pelas mãos divinas, antes que o Espírito habite nele, e para que o Espírito possa habitar nele. E é recriado na ressurreição por essas mesmas mãos — agora mãos transpassadas —, para que tudo convirja naquele que veio expressamente ao seu encontro.

Caridade para nossas vidas, misericórdia para nossos corpos. A salvação caminha ao ritmo dos batimentos de nosso pobre coração de carne.

No mundo atual — ainda que hoje seja dia de festa — há 1,5 bilhão de pobres que não têm alimento suficiente e 1,5 bilhão de trabalhadores que não recebem salário suficiente para viver com dignidade. Nós celebramos a festa da Assunção da Virgem, a Mãe de todos, e fazemos bem; mas talvez não percebamos que, sobre sua glória imaculada, projetamos uma sombra de injustiça tecida por nossas próprias mãos.

Mesmo na glória, a Virgem não deixa de ser Mãe, nem deixa de se comover, a cada instante, com infinita compaixão por nossa pobre carne, que lhe diz respeito tanto quanto pertencemos à humanidade gloriosa de Cristo.

O Calvário ainda não foi desmontado. Aos pés da cruz permanece a Mãe, dele e nossa, que acolhe em seus braços justamente aquilo que nós não queremos carregar: a aflição, a angústia, o lamento e o sofrimento do Filho Unigênito.

E assim será até o fim dos tempos, quando todos forem recapitulados na glória eterna do Filho e da Mãe e, sobre a terra, “os membros de Cristo nunca mais terão fome nem sede” (P. Mazzolari, La Parola che non passa, Vicenza, 3ª ed., 1961, p. 229-231).

Bom domingo para você e sua família!