Mateus 13,24-43
“Deixai crescer um e outro até a colheita!” (Mt 13,30)
NÃO ARRANQUE O QUE AINDA CRESCE. CONTINUE CRESCENDO, MESMO CERCADO DO QUE NÃO ESCOLHEU
Nem tudo o que cresce dentro de nós produz vida. Há medos, feridas e conflitos convivendo com a fé, a esperança e o desejo de recomeçar. Amadurecer não é eliminar imediatamente todas as sombras, mas escolher, todos os dias, aquilo que merece ser cultivado e procurar com um esforço continuo, sem esmorecer luzes que motivem a continuar cada dia.
(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).
MEDITAR
- O que tenho alimentado dentro de mim?
- Que área da sua vida ainda está em formação, e você insiste em julgar como se já estivesse pronta?
COMPROMISSO
Diante dos desafios, fortaleça tudo aquilo que gera vida em você. (escreva no seu Diário espiritual).
LEITURA ESPIRITUAL
A indulgência é uma expressão finíssima da caridade, pois é, ao mesmo tempo, compreensão, discrição, paciência e confiança. Com ela — e somente com ela — supera-se um grande obstáculo que normalmente se interpõe entre nós e o nosso próximo.
De fato, o que frequentemente torna mais difícil o exercício da caridade são os defeitos que encontramos nos outros. Somos facilmente levados a percebê-los e a enxergá-los muito mais do que os nossos próprios defeitos, ficando, assim, sempre dispostos à crítica.
Esse obstáculo não é superado espontaneamente, porque o defeito, por si mesmo, não aproxima as almas, uma vez que constitui uma falta; e aquilo que falta jamais pode ser um elemento positivo de união. Por conseguinte, é necessário suprir voluntariamente aquilo que falta na pessoa imperfeita com algo que permita às almas se encontrarem. Esse algo é proporcionado precisamente pela «indulgência».
A indulgência da qual falamos não consiste simplesmente em «fechar os olhos» para os defeitos dos outros: fechar os olhos conduz, na maioria das vezes, ao desinteresse. Com a verdadeira indulgência, porém, os defeitos são claramente percebidos; apenas são «indultados», isto é, «concede-se» o perdão — não ao defeito, mas à imperfeição moral da pessoa, na medida em que ela nos diz respeito, nos fere ou nos priva de alguma coisa. Portanto, um perdão assim também implica o propósito de correção do outro, para que a pessoa não seja privada daquele bem moral que resulta da superação de seu defeito. E, em vista dessa correção, concede-se confiança à pessoa. Nisso consiste a verdadeira indulgência.
E até que ponto se deve exercer a indulgência? A resposta nos é dada pelo Senhor, quando nos diz que devemos perdoar aos irmãos «setenta vezes sete», isto é, sempre.
Naturalmente, uma indulgência tão generosa e delicada é difícil. Contudo, somos chamados precisamente a agir dessa maneira com os «irmãos» que «pecam» ou, para permanecermos no contexto de nossa reflexão, diante dos defeitos do nosso próximo.
A indulgência permite, assim, demonstrar o amor com uma delicadeza extraordinária, que contém verdadeiramente o que há de melhor na alma e no coração. Nesse caso, o amor não busca a si mesmo nem procura a própria satisfação; busca unicamente o verdadeiro bem da pessoa amada. É também um amor profundamente ativo, porque verdadeiramente age, isto é, «dá»: oferece o perdão e também concede confiança à pessoa para com a qual se mostra indulgência.
Amar uma pessoa virtuosa não é difícil; porém, ser indulgente e amar uma criatura imperfeita exige a grande força da virtude. Além de uma profunda generosidade, que permite superar a si mesmo, é necessária uma paciência confiante, capaz de esperar, sem jamais se cansar, que os outros se corrijam. Isso eleva ainda mais a grandeza moral do amor.
(R. Bessero Belti, Lo que vale un corazón lleno de la presencia interior del Espíritu, Eunate, Pamplona, 1995, p. 79-81; tradução de Julia Bellido).
Bom domingo para você e sua família!

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