Mateus 10,24-33

“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” (Mt 10,28)

ENTRE O QUE ACONTECE COM VOCÊ E O QUE VOCÊ SE TORNA, EXISTE UMA ESCOLHA QUE NINGUÉM PODE FAZER NO SEU LUGAR.

Há um poder que nenhuma força externa alcança: a liberdade de decidir quem você é, mesmo quando tudo ao redor tenta te sucumbir. O corpo pode ser ferido, aprisionado, silenciado, mas a última palavra sobre o seu sentido nunca pertence a quem te ameaça. Ela pertence a você. Diante da dor, da perda, do medo mais profundo, resta sempre uma escolha que ninguém pode arrancar: a atitude com que você atravessa o que não escolheu viver.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. O que você tem deixado que “matem” em você por medo, mesmo sem ninguém tocar seu corpo?
  2. Em qual situação atual você pode escolher sua atitude, ainda que não possa escolher as circunstâncias?

COMPROMISSO

Enfrente seus medos sem abandonar seus valores. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

A Igreja e o mundo, por razões diferentes, mas convergentes, necessitam que São Bento saia da comunidade eclesial e social e se recolha ao seu recinto de solidão e silêncio; e que, dali, nos faça ouvir o encantador acento de sua oração serena. Que, dali, ele quase nos louve e nos chame aos umbrais de seus claustros, para nos oferecer a imagem de uma oficina do “serviço divino”, de uma pequena sociedade ideal, onde finalmente reinem o amor, a obediência, a inocência, o desapego das coisas e a arte de utilizá-las corretamente, a primazia do espírito e a paz; em uma palavra: o Evangelho.

Que São Bento retorne para nos ajudar a recuperar a vida pessoal, essa vida pessoal pela qual hoje sentimos tanta ansiedade e tanto anseio, mas que o desenvolvimento da vida moderna — ao qual se deve o desejo exacerbado de sermos nós mesmos —, ao mesmo tempo que desperta, também sufoca; ao mesmo tempo que a torna consciente, também a decepciona.

Em tempos antigos, nos séculos remotos, o homem corria para o silêncio do claustro, assim como para ele correu Bento de Núrsia, a fim de encontrar a si mesmo. Hoje, não é a ausência de convivência social que o impulsiona a buscar o mesmo refúgio, mas o seu excesso.

A agitação, o barulho, o caráter febril da vida, a exterioridade e a multidão ameaçam a interioridade do ser humano. Falta-lhe o silêncio com sua autêntica palavra interior; falta-lhe a ordem; falta-lhe a oração; falta-lhe a paz; falta-lhe ele próprio.

Para retomarmos o domínio sobre nós mesmos e recuperarmos a alegria espiritual de sermos quem somos, precisamos voltar a contemplar o claustro beneditino.

E, uma vez que o homem tenha sido recuperado para si mesmo na vida monástica, também estará recuperado para a Igreja. O monge possui um lugar privilegiado no Corpo Místico de Cristo, uma função preparada e urgente como nunca antes.

(Paulo VI, alocução de 24 de outubro de 1964, em AAS 56 [1964], p. 983-989, passim)

Bom dia para você e sua família!