Mateus 7,1-5

“Tira primeiro a trave do teu próprio olho (Mt 7,5).

“É SÁBIO DEIXARMOS DE APONTAR O OUTRO E CUIDARMOS DO QUE PRECISA SER CURADO EM NÓS

A trave que cega o nosso próprio olhar é sempre mais pesada do que o cisco que vemos no olho do outro — só não a sentimos porque já nos acostumamos ao seu peso.

Há um sofrimento inevitável em julgar: o de viver de fora para dentro, ocupado em corrigir o mundo, enquanto a própria casa interior continua em desordem. Mas existe outro caminho — o de assumir a responsabilidade pelo sentido que damos a cada situação, mesmo (e principalmente) quando ela nos expõe as próprias falhas.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor Espiritual).

MEDITAR

  1. O que tenho criticado nos outros que também preciso rever em mim?
  2. Que atitude concreta posso mudar hoje antes de julgar alguém?

COMPROMISSO

Hoje, antes de corrigir ou criticar alguém, pare trinta segundos e pergunte a si mesmo: “E eu, nesse mesmo ponto, como estou?”. (escreva no seu Diário espiritual).

LEITURA ESPIRITUAL

Podemos nos libertar da necessidade de julgar os outros?

Sim, podemos fazer isso afirmando para nós mesmos esta verdade: somos filhos e filhas amados de Deus. Enquanto continuarmos vivendo como se fôssemos aquilo que fazemos, aquilo que temos e aquilo que os outros pensam de nós, continuaremos cheios de julgamentos, opiniões, avaliações e condenações.

Continuaremos prisioneiros da necessidade de colocar as pessoas e as coisas em seu “devido” lugar. À medida que abraçarmos a verdade de que nossa identidade não está enraizada no nosso sucesso, no nosso poder ou na nossa popularidade, mas no amor infinito de Deus, nessa mesma medida poderemos nos libertar da nossa necessidade de julgar.

Somente quando afirmarmos o amor de Deus — o amor que transcende todo julgamento — poderemos superar todo medo de sermos julgados. Quando conseguirmos nos libertar completamente da necessidade de julgar os outros, então também conseguiremos nos libertar completamente do medo de sermos julgados.

A experiência de não precisar julgar não pode coexistir com o medo de ser julgado; tampouco a experiência do amor de um Deus que não julga pode coexistir com a necessidade de julgar os outros.

É isso que Jesus quer dizer quando afirma: “Não julgueis e não sereis julgados”. O vínculo entre as duas partes dessa frase é o mesmo vínculo que existe entre o amor a Deus e o amor ao próximo. Não se podem separar.

Esse vínculo, porém, não é simplesmente um vínculo lógico que possamos argumentar. É, antes de tudo e acima de tudo, um vínculo do coração, que estabelecemos na oração.

(H. J. M. Nouwen, Viver no espírito, Brescia, 4ª ed., 1998, pp. 54-56, passim. Edição espanhola: Aqui e agora: vivendo no espírito, São Paulo, Madrid, 1998).