“O PAI DAS MISERICÓRDIAS”

LER

Lucas 15,1-3.11-32

 “O pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijo” (Lc 15,20).

Hoje somos chamados a refletir nossa relação com o próprio Deus, pois em algum momento somos como o filho mais novo, onde nos afastamos pelo desejo de realizar nossas vontades egoístas, ou como o filho mais velho, rígidos, com o coração fechado incapaz de perdoar e aceitar a graça divina.

O Pai misericordioso nos chama, independentemente de nossas falhas, a retornar a Ele. Ele não faz distinção entre os pecadores, mas oferece sua misericórdia abundante, pronta para restaurar e celebrar cada um de nós. O desafio é aprender a acolher, como Ele, todos que se arrependem e voltar ao Pai com um coração contrito, pronto para ser restaurado pela infinita bondade e amor de Deus.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor espiritual).

MEDITAR

  1. O que Deus está me dizendo por meio deste texto?
  2. Como essa palavra se aplica à minha vida?

LEITURA ESPIRITUAL

Observando o Pai, consegui distinguir três caminhos que conduzem a uma autêntica paternidade misericordiosa: a dor, o perdão e a generosidade. Pode parecer estranho que a dor conduza à misericórdia. Mas é assim. A dor me leva a deixar que os pecados do mundo – incluindo os meus – rasguem meu coração e me façam derramar lágrimas, muitas lágrimas por eles. Se não forem lágrimas que brotam dos olhos, pelo menos são lágrimas do coração. Este clamor é oração.

O segundo caminho que conduz à paternidade espiritual é o perdão. Por meio do perdão constante, vamos nos tornando como o Pai. O perdão é o caminho para superar o muro e acolher os outros no coração, sem esperar nada em troca.

O terceiro caminho para se tornar como o Pai é a generosidade. Na parábola, o Pai do filho que se vai não só lhe dá tudo o que pede, mas também o enche de presentes quando ele volta. E ao filho mais velho, ele diz: “Tudo o que é meu é seu”. O Pai não reserva nada para si. Assim como o Pai se esvazia de si mesmo por seus próprios filhos, eu também devo me dar aos meus irmãos e irmãs. Jesus deixa claro que é nesta oblação que está o sinal do verdadeiro discípulo: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”. Dar-se exige uma autêntica disciplina, pois não é algo que ocorre automaticamente. Cada vez que dou um passo em direção à generosidade, me movo do medo para o amor.

Como Pai, devo acreditar que tudo o que o coração humano deseja pode ser encontrado em casa. Como Pai, devo ter a coragem de assumir a responsabilidade de uma pessoa espiritualmente adulta e acreditar que a verdadeira alegria e a satisfação plena só podem vir ao acolher em casa aqueles que foram ofendidos e feridos na jornada de sua vida e amá-los com um amor que não pede nem espera nada em troca.

Há um vazio terrível nessa paternidade espiritual. Mas esse vazio terrível é também o lugar da verdadeira liberdade. Livre para receber a carga dos outros, sem a necessidade de avaliar, classificar ou analisar. Neste estado de ser, que nunca permitiria julgar, posso gerar uma confiança libertadora. (H. Nouwen, L’abbraccio benedicente, Brescia 1994, 190-199, passim).

COMPROMISSO

Como posso ser mais acolhedor com o próximo? (escreva no seu Diário espiritual).

Bom domingo para você e sua família!