SOLENIDADE DA ANUNCIAÇÃO DO SENHOR.

Is 7,10-14;8,10. Sl 39(40),7-8a.8b-9.10,11 (R.8a.9a). Hb 10,4-10. Lc 1,26-38

“Eis aqui a serva do Senhor”

LER

Lc 1, 26-38

“Faça-se em mim segundo a tua palavra…” (Lc 1, 38).

A solenidade da Anunciação do Senhor é um dos mistérios centrais da nossa fé cristã, pois marca o momento em que o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). O Evangelho de hoje nos apresenta a visita do anjo Gabriel à Virgem Maria, convidando-a a participar do plano divino de salvação.

Maria, cheia de graça, recebe a saudação do anjo e fica perturbada, pois a mensagem que lhe é anunciada é grandiosa: ela conceberá o Filho de Deus. A resposta de Maria, “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), revela a essência de sua fé e de sua entrega total a Deus.

(Giovanni Monte de Carvalho– Seminarista do 3º ano de Filosofia/ Diocese de Campo Maior-PI).

MEDITAR

1. Qual é o chamado de Deus para mim?

2. Tenho confiado em Deus, mesmo quando não entendo os seus planos?

CONTEMPLAR

Maria não compreendeu plenamente os caminhos de Deus, mas confiou e se entregou. Nossa vida cristã deve ser marcada pela confiança, mesmo quando não entendemos os desígnios divinos.

COMPROMISSO

Inspirado pelo exemplo de Maria, procuremos ajudar alguém necessitado, seja com palavras de conforto, seja com gestos concretos.

LEITURA ESPIRITUAL

Quando lemos que o mensageiro diz a Maria «cheia de graça», o contexto evangélico, no qual confluem revelações e promessas antigas, permite-nos entender que aqui se trata de uma «bênção» singular entre todas as «bênçãos espirituais em Cristo». No mistério de Cristo, Maria está presente já «antes da criação do mundo», como aquela a quem o Pai «escolheu» para Mãe do seu Filho na Encarnação ― e, conjuntamente ao Pai, escolheu-a também o Filho, confiando-a eternamente ao Espírito de santidade. Maria está unida a Cristo, de um modo absolutamente especial e excepcional; e é amada neste «Filho muito amado» desde toda a eternidade, neste Filho consubstancial ao Pai, no qual se concentra toda «a magnificência da graça». Ao mesmo tempo, porém, ela é e permanece perfeitamente aberta para este «dom do Alto» (cf. Tg 1, 17) Como ensina o Concílio, Maria «é a primeira entre os humildes e os pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem d’Ele a salvação». [22]

 A saudação e o nome «cheia de graça» dizem-nos tudo isto; mas, no contexto do anúncio do Anjo, referem-se em primeiro lugar à eleição de Maria como Mãe do Filho de Deus. Todavia, a plenitude de graça indica ao mesmo tempo toda a profusão de dons sobrenaturais com que Maria é beneficiada em relação com o facto de ter sido escolhida e destinada para ser Mãe de Cristo. Se esta eleição é fundamental para a realização dos desígnios salvíficos de Deus, a respeito da humanidade, e se a escolha eterna em Cristo e a destinação para a dignidade de filhos adoptivos se referem a todos os homens, então a eleição de Maria é absolutamente excepcional e única. Daqui deriva também a singularidade e unicidade do seu lugar no mistério de Cristo.

O mensageiro divino diz-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo» (Lc 1, 30-32). E quando a Virgem, perturbada por esta saudação extraordinária, pergunta: «Como se realizará isso, pois eu não conheço homem?», recebe do Anjo a confirmação e a explicação das palavras anteriores. Gabriel diz-lhe: «Virá sobre ti o Espírito Santo e a potência do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso mesmo o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus» (Lc 1, 35).

A Anunciação, portanto, é a revelação do mistério da Encarnação exatamente no início da sua realização na terra. A doação salvífica que Deus faz de si mesmo e da sua vida, de alguma maneira a toda a criação e, diretamente, ao homem, atinge no mistério da Encarnação um dos seus pontos culminantes. Isso constitui, de facto, um vértice de todas as doações de graça na história do homem e do cosmos. Maria é a «cheia de graça», porque a Encarnação do Verbo, a união hipostática do Filho de Deus com a natureza humana, se realiza e se consuma precisamente nela. Como afirma o Concílio, Maria é «Mãe do Filho de Deus e, por isso, filha predileta do Pai e templo do Espírito Santo; e, por este insigne dom de graça, leva vantagem a todas as demais criaturas do céu e da terra». (Encíclica Redemptoris Mater, João Paulo II).

Bom dia para você e sua família!