“Seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos.” (Lc 15,20).

Podemos dizer que a parábola de hoje é a do Pai misericordioso e dos dois filhos pecadores.

Em um primeiro tocante a parábola aponta para a ideia de que nossa vida é marcada pela constante possibilidade de recomeçar, por mais que nossas escolhas nos tenham levado para longe do que acreditávamos ser nossa verdadeira casa e nos afaste de nossa centralidade, de Deus e das pessoas que nos são próximas.

Segundo que Deus sempre nos aguarda com “braços” abertos. O abraço e os beijos do pai representam a graça que restaura a dignidade humana, não pela força das nossas ações, mas pela misericórdia que Deus derrama sobre nós (Rm 5,5). Esse gesto radical de acolhimento transcende as barreiras sociais e nos convida a refletir sobre o tipo de acolhimento que oferecemos ao próximo, especialmente àqueles que erram e se afastam.

(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor espiritual).

REFLEXÃO

1. O que Deus está me dizendo com essa passagem

2. Como essa palavra se aplica à minha vida hoje?

LEITURA ESPIRITUAL

O Deus cristão é o Deus da esperança, não apenas no sentido de ser o Deus da promessa e, por isso, fundamento e garantia da esperança humana, mas também no sentido de um Deus que sabe celebrar esse retorno […].
A humildade e a esperança de Deus não deixam de esperar seus filhos com um amor mais forte que todo o não-amor com o qual pode ser correspondido. Deus ama como só uma mãe sabe amar, com um amor que irradia ternura. O mistério da maternidade divina é ícone da capacidade de um amor radiante e gratuito, mais fiel que qualquer infidelidade humana. Deus espera sempre, humilde e ansioso, o consentimento de sua criatura como – conforme sublinha São Bernardo – fez com o “sim” de Maria.
A parábola nos coloca diante de um pai que não teme perder sua própria dignidade, até parece colocá-la em perigo. A autoridade de um pai não está nas distâncias que mais ou menos mantém, mas no amor radiante que manifesta […]. Esse é o intrépido amor de Deus: a intrepidez de romper falsas seguranças aparentes, para viver a única segurança que é a do amor mais forte que o não-amor; a intrepidez de ir ao encontro do outro superando as distâncias protetoras que nossa incapacidade de amor com frequência pretende levantar ao nosso redor (B. Forte, Nella memoria del Salvatore, Cisinello B. 1992, 68s, passim).

AÇÃO

Faça um momento de recolhimento e acene quais sinais a leitura traz para seu crescimento humano-espiritual. (Escreva no seu diário espiritual).

Bom dia para você e sua família!