“Há um grande abismo entre nós… […]” (Lc 16,26).
Hoje podemos refletir sobre nossa relação com Deus, com as pessoas e com a natureza. O Evangelho faz referência as distâncias ou proximidades que podemos fazer no caminho de fé. O abismo citado no texto é, portanto, um reflexo da nossa conduta diante dos outros e de Deus. Ele não é apenas um obstáculo físico, mas um reflexo das atitudes e decisões que tomamos, que, quando falham em acolher o outro, em viver com compaixão e justiça, criam uma barreira espiritual que nos separa do bem, da verdade e, em última instância, da presença de Deus. O perigo está quando não fazemos o esforço de diminuirmos essas distâncias através de um caminho de fé mais sólido, uma base espiritual mais firme e uma atitude eficiente na missão que recebemos de Deus.
(Pe. William Santos Vasconcelos – Diretor espiritual).
REFLEXÃO
1. Estou ajudando os que precisam, ou estou vivendo apenas para mim mesmo?
2. Será que tenho tomado atitudes que me afastam da misericórdia de Deus?
LEITURA ESPIRITUAL
Quem sabe esquecer-se e perder-se na oferta de si mesmo,
quem pode sacrificar “gratuitamente” o seu coração, é um homem
perfeito. No linguajar bíblico, poder-se dar, poder entregar-se,
poder chegar a ser “pobre”, significa estar perto de Deus, encontrar
a própria vida escondida em Deus; em uma palavra, isso é o céu.
Girar apenas ao redor de si mesmo, se encastelar e se tornar forte,
significa, ao contrário, condenação, inferno. O homem pode
encontrar-se a si mesmo e tornar-se verdadeiramente homem
somente atravessando a porta da pobreza de um coração sacrificado.
Esse sacrifício não é um misticismo vago que faz perder a consistência
do mundo e do homem, mas, ao contrário, é uma consideração
do homem e do mundo. Deus mesmo se aproximou de nós como
irmão, como próximo; em resumo, como outro homem qualquer […].
O amor ao próximo não é algo distinto do amor a Deus, mas, por
assim dizer, sua dimensão que nos toca, seu aspecto terreno: ambas
as realidades são essencialmente uma só. Assim fica garantido o
nosso espírito de pobreza, nossa disposição para a doação e o sacrifício
desinteressado, pelo qual atualizamos nosso ser humano, sempre
e necessariamente em relação com o irmão, com o próximo. Dito
isso, o homem que se colocou a serviço do irmão, que faz suas
as necessidades dos outros. E desgraçado é o homem que, com
seu rejeito egoísta do irmão, cavou um abismo tenebroso
que o separa da luz, do amor e da comunhão; o homem que
somente desejou ser “rico” e “forte”, de sorte que os outros
só constituem para ele uma tentação, o inimigo, condição e
componente do seu inferno. No sacrifício que se esquece totalmente
de si, na doação total ao outro é onde se abre e se revela a profundidade
do mistério infinito; no outro, o homem chega, contemporaneamente
e realmente, a Deus (J. B. Metz, Pobreza no espírito. Meditações teológicas,
Brescia 1968, 42-45, passim).
AÇÃO
Como a sua vida pode mudar a partir dessa reflexão? (Escreva no seu diário espiritual).
Bom dia para você e sua família!
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