SÃO JOSÉ
LER
MATEUS 1,16.18-21.24a
“Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado” (Mt 1,24a).
Hoje faremos uma pausa na cor roxa (penitência da quaresma), para celebrarmos uma das mais belas solenidades da Igreja Universal, o seu patrono, São José. Tal é sua importância que a Sagrada Escritura diz que José era “um homem justo”. O Servo de Deus, Pe. Léo de Bethânia, ao refletir essa passagem dizia que: “quando a Bíblia fala, que José era um homem justo, significa que ele era um homem equilibrado, um homem feito sob medida, sob medida para Deus. Aqui está o segredo para experienciar Milagres”. E nesse ano jubilar, que nos conduz a sermos peregrinos de esperança, São José e a liturgia da Palavra de hoje nos dão um belo ensinamento de peregrinar com esperança, isto é, “contra toda a humana esperança, firmou-se na esperança e na fé” (Rm 4,18). É fabuloso refletirmos isso, pois podemos crer que nossa esperança não engana (Rm 5,5). No entanto, devemos fazer nossa parte, pois nossa esperança nas promessas de Deus exige de nós 100%, porque “O milagre precisa do 100% humano, porque só quando nos predispôs do 100% humano é que se encaixa, se ajusta, ao 100% de Deus. Por isso José é justo.” (Pe. Léo).
(Francisco Rickelme Gomes Barros, seminarista do 2º de teologia / Diocese de Campo Maior-PI)
REFLEXÃO
1. Como posso, assim como José, confiar em Deus e seguir Sua vontade, mesmo quando ela parece desafiar minhas expectativas e planos?
2. De que maneira a obediência e a fé de José podem me inspirar para confiar plenamente em Deus?
LEITURA ESPIRITUAL
Dia após dia, José via Jesus crescer «em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar, segurando-O pela mão: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava-se para Ele a fim de Lhe dar de comer (cf. Os 11, 3-4).
Jesus viu a ternura de Deus em José: «Como um pai se compadece dos filhos, assim o Senhor Se compadece dos que O temem» (Sal 103, 13).
Com certeza, José terá ouvido ressoar na sinagoga, durante a oração dos Salmos, que o Deus de Israel é um Deus de ternura,[11] que é bom para com todos e «a sua ternura repassa todas as suas obras» (Sal 145, 9).
A história da salvação realiza-se, «na esperança para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18), através das nossas fraquezas. Muitas vezes pensamos que Deus conta apenas com a nossa parte boa e vitoriosa, quando, na verdade, a maior parte dos seus desígnios se cumpre através e apesar da nossa fraqueza. Isto mesmo permite a São Paulo dizer: «Para que não me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me ferir, a fim de que não me orgulhasse. A esse respeito, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Mas Ele respondeu-me: “Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza”» (2 Cor 12, 7-9).
Se esta é a perspetiva da economia da salvação, devemos aprender a aceitar, com profunda ternura, a nossa fraqueza.[12]
O Maligno faz-nos olhar para a nossa fragilidade com um juízo negativo, ao passo que o Espírito trá-la à luz com ternura. A ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós. Muitas vezes o dedo em riste e o juízo que fazemos a respeito dos outros são sinal da incapacidade de acolher dentro de nós mesmos a nossa própria fraqueza, a nossa fragilidade. Só a ternura nos salvará da obra do Acusador (cf. Ap 12, 10). Por isso, é importante encontrar a Misericórdia de Deus, especialmente no sacramento da Reconciliação, fazendo uma experiência de verdade e ternura. Paradoxalmente, também o Maligno pode dizer-nos a verdade, mas, se o faz, é para nos condenar. Entretanto nós sabemos que a Verdade vinda de Deus não nos condena, mas acolhe-nos, abraça-nos, ampara-nos, perdoa-nos. A Verdade apresenta-se-nos sempre como o Pai misericordioso da parábola (cf. Lc 15, 11-32): vem ao nosso encontro, devolve-nos a dignidade, levanta-nos, ordena uma festa para nós, dando como motivo que «este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 24).
A vontade de Deus, a sua história e o seu projeto passam também através da angústia de José. Assim ele ensina-nos que ter fé em Deus inclui também acreditar que Ele pode intervir inclusive através dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. E ensina-nos que, no meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de deixar a Deus o timão da nossa barca. Por vezes queremos controlar tudo, mas o olhar d’Ele vê sempre mais longe
(Papa Francisco, Patris Cordis nº 2, 08/12/2020).
AÇÃO
Faça um momento de oração pedindo ao Senhor inspiração para sua vida a partir da leitura do Evangelho da missa de hoje.
Bom dia para você e sua família!
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